Projecto Sete de Gelo
Todas as travessias planeadas neste projecto são estreias nacionais, nunca foram realizadas por expedições espanholas.
O clima extremo, a escassez dos recursos (apenas aquilo que possam transportar), as grandes distâncias e as dificuldades do terreno vão pôr à prova os seus limites.
O José e o Hilo não são movidos pela ideia de bater records desportivos, pelo contrário, o que os motiva é a viagem em si mesma, o como realizar cada etapa para aproveitar ao máximo tudo o que esta oferece.
Estratégia: à procura de experiências globais
O gelo é muito mais do que apenas água a zero graus centígrados. Cada extensão gelada do planeta tem características próprias, o que faz com que cada uma das etapas previstas seja um desafio físico, mas também logístico. Existem muitos factores que devem ser tidos em conta, desde os materiais utilizados, ao modo de progressão, ao tipo de terreno, à latitude, à época do ano, às autorizações e requisitos que cada zona exige, assim como a maneira de chegar ao ponto de partida e de regressar uma vez alcançada a meta.
Por exemplo a espécie de papagaios (kite) com que esperam percorrer mais de 2.000 km na Antárctida seriam inúteis no Pólo Norte, onde a banquisa ou banco de gelo (superfície de água do mar gelada do Oceano Árctico) se move e se parte continuamente pelos efeitos das marés e do aquecimento global. Ou como, por exemplo, nos Campos de Gelo da Patagónia onde não encontrarão vestígios de humanidade como os que existem em ambos os lados da Passagem do Noroeste. Na Patagónia, no fim do gelo, esperam-lhes lagos, rios e fiordes afastados da civilização, que vão percorrer em caiaque.
Cada objectivo consiste em algo mais do que percorrer uma distância determinada, pelo contrário, procuram experiências completas. Por isso mesmo não querem deixar de subir a montanhas em Spitsbergen, conviver com os Clãs Inuit (esquimós) que vivem nas Ilhas Meridionais do Canadá, ou chegar ao Pólo Sul por uma rota diferente da que a maioria das expedições percorre, mesmo que isso lhes acarrete dias e quilómetros extra de permanência no gelo.
Aprendendo com os mestres
Na hora de seleccionar lugares e rotas, na mente dos expedicionários pesou muito a herança dos grandes exploradores das regiões polares: de Shipton na Patagónia, de Peary e Cook no Oceano Árctico, mas sobretudo dos pioneiros noruegueses. “Os noruegueses triunfaram sobre exploradores de outras nacionalidades porque eles aprenderam com os esquimós, aplicando a sabedoria que os habitantes das regiões polares acumularam através dos séculos”, afirma José. “Hoje, 150 anos mais tarde, nós queremos recolher o testemunho e aprender com os noruegueses. Vamos seguir as pisadas de Nansen no Árctico, de Amundsen através da Passagem do Noroeste até ao Pólo Sul, de Sverdrup na Ilha de Ellesmere. E queremos aprender, não só com aqueles visionários que abriram rotas consideradas impossíveis, mas também com os seus herdeiros.”
Efectivamente José e Hilo estão em contacto com alguns dos expedicionários polares que mais se destacam no panorama actual. Borge Ousland (o primeiro homem que atravessou em solitário o Árctico passando pelo Pólo Norte e que à dois anos atravessou também o Campo de Gelo do Sul da Patagónia) e Rune Gjeldnes cujas pisadas serão seguidas por José e Hilo desde a Terra da Rainha Maud (sector da Antárctida reclamado pela Noruega, que se encontra a Sul do continente africano, na Antárctida Oriental) até ao Pólo Sul (Rune seguiu entretanto até ao outro extremo da Antárctida, numa travessia que efectuou em solitário de 4.800 km em autonomia e que dificilmente será repetida). Ambos foram uma fonte valiosa de informação no que se refere a material de última geração, estratégia, logística e traçado de rotas.
Espírito inquieto
José e Hilo entendem que as expedições devem manter o espírito dos pioneiros que um dia se lançaram para percorrer os espaços em branco dos mapas: o espírito de exploração, de descoberta, tanto do que os rodeava assim bem como de si mesmos. Assumem que a sua escolha comporta risco e sofrimento, mas confiam que quando regressam a casa é com um sorriso no rosto, umas quantas lições aprendidas com a experiência e uma série de boas histórias para recordar e partilhar.


